Quem sou eu?   Contact   Política de Privacidade   GamesJogos online   Enrevistas   Emprego na Europa   Concursos Publicos   Plugins   Celebridades

Foi babá, mas hoje trabalha no setor de educação nos Estados Unidos

September 19, 2008 by Cilene  
Filed under Entrevista, Imigracao, Imigrante, Noticia

Quesia Barros, AQUI, se mudou para os Estados Unidos para aperfeiçoar seu inglês. Foi babá, mas hoje trabalha no setor de educação, ou seja, na mesma coisa que trabalhava no Brasil. Passou por todas as fases, inclusive a de querer voltar para Brasil, mas hoje casada com um americano vai ser difícil voltar definitivamente. Nessa entrevista exclusiva ao Distant Daily, ela, fala de tudo que um imigrante vive e também da crise econômica que os americanos vivem hoje.

Há quanto tempo mora nos Estados Unidos?
Eu moro nos Estados Unidos há quase cinco anos. Em Fevereiro vai  completar cinco anos e e difícil de acreditar que estou aqui todo este tempo.

Porque resolver deixar o Brasil?
Eu vim para ficar só um ano e voltar. Minha mãe não queria que eu viesse, mas eu vim mesmo assim. Eu queria aprender a falar inglês com fluência, porque o inglês me ajudaria a conseguir bons trabalhos e seria importante na minha carreira. Foi difícil sair do Brasil e deixar minha família, mas a esperança de voltar dentro de um ano me consolava.

Porque não voltou então?
Eu contava os dias de voltar, acontece que eu conheci um americano e acabei me casando.

A decisão de casar e ter que morar definitivamente nos Estados Unidos foi complicada?
A decisão de ficar foi difícil, especialmente porque eu teria que começar minha carreira do zero, o que não foi fácil.

Como assim?
Primeiro eu não podia trabalhar, então eu arrumei uns trabalhos informais como babá. Mais tarde quando recebi permissão do governo americano eu trabalhei em outras coisas fora da minha área, normalmente como temporária.

Você aceitaria um emprego de babá no Brasil?
Eu não seria babá no Brasil porque eu tinha minha carreira lá, aliás eu tinha duas carreiras e eu trabalhava nas duas.

Porque os brasileiros aceitam trabalhos no exterior que não fariam no Brasil?
Os brasileiros aceitam trabalhos no exterior que não aceitariam no Brasil por diversos motivos. Alguns realmente não tinham uma carreira no Brasil; outros eram formados mas não conseguiam emprego então aceitam qualquer coisa (do mesmo jeito que aceitavam no Brasil).

Como assim?
Os ilegais não tem escolha, nem podem trabalhar então se alguém aceita empregá-los do jeito que estão para eles é lucro; alguns trabalham em coisas diferentes porque não tem outra opção; algumas profissões tem uma serie de exigências para que sejam exercidas no exterior, como reconhecimento do diploma ou exames; e por último tem os que não falam inglês com fluência e não podem fazer o mesmo tipo e trabalham que faziam no Brasil porque não tem um bom nível de comunicação.

Mas você hoje trabalha na sua profissão?
Com o tempo fui voltando para a minha área de atuação. Trabalhei como assistente administrativa, depois como assistente de RH, e hoje finalmente trabalho como especialista de educação na área desenvolvimento de talentos. Eu utilizo os meus conhecimentos como professora, psicóloga e meu interesse por tecnologia para implementar sistemas e buscar soluções e inovações para o desenvolvimento de talentos da empresa.

Foi difícil consegui um emprego na sua área ou os americanos não têm esse tipo de preconceito?

Quando eu trabalhava como babá,  percebia que as pessoas têm uma visão generalizada sobre estrangeiros. Eles acham que a gente vem para cá porque não tem oportunidade no nosso país de origem. Quando a gente tem sotaque as pessoas não nos vêem como pessoas educadas, leva um tempinho ate eles entenderem.

E nas empresas?
Nas organizações é um pouco diferente, as pessoas não demonstram tanto preconceito, no entanto eu me lembro de uma situação onde uma executiva na empresa em que eu trabalho não estava muito contente em saber que eu iria desenvolver os treinamentos para um determinado projeto;

Como se sentiu?
Me senti mal com aquilo, pensei que se estivesse no Brasil dificilmente as pessoas me tratariam assim (questionando a minha habilidade). O legal foi que tivemos que trabalhar no projeto juntas e no final ela ofereceu um almoço para mim e minha equipe e me disse em particular que estava muito impressionada com o trabalho que eu desenvolvia quando inglês era a minha segunda língua. Foi muito bom.

Qual a imagem do Brasil para o Americano?
A maioria dos americanos não tem uma boa idéia do que seja o Brasil, muitos se assustam com a foto de São Paulo que eu tenho na minha mesa para você ter uma idéia. Quando pensam em Brasil pensam na Amazônia ou no Rio de Janeiro. Muitos tem imagem de pobreza absoluta, de um pais muito liberal sexualmente falando, ah e e claro, de futebol. Choca o fato de saberem tão pouco sobre nós, porem os que tem informação admiram algumas coisas que vão além de futebol e mulher, como a questão de termos outras alternativas para combustível por exemplo e de não sermos tão dependentes do petróleo como eles são.

Os americanos vivem uma crise econômica sem precedentes, como eles se viram?
O último governo agravou bem mais a situação especialmente por gastar o dinheiro da população com guerras ao invés de investir internamente. A economia está parada, existem muitas reclamações quanto ao aumento da gasolina por exemplo, dizem até que é a preocupação numero um dos eleitores este ano.
Empresas como a que eu trabalho estão criando alternativas para os empregados, por exemplo eles tem uma jornada de trabalho mais longa certos dias e não precisam ir a empresa em um dos dias da semana, também temos um anúncio de “caronas” na nossa intranet, tudo isso para economizar gasolina.

E o que mais. Afeta muitos os imigrantes?
Muitos americanos estão completamente endividados e tendo que se adaptar a esse novo estilo de vida, já que esta é uma sociedade extremamente consumista. Uma outra coisa que esta acontecendo e o retorno de muitos brasileiros ao Brasil. Os brasileiros ilegais estão voltando porque dizem que com a queda do dólar nem compensa ficar longe da família no Brasil para ganhar quase a mesma coisa. A lista é longa, mas e melhor eu parar por aqui (risos).

Você é feliz como imigrante? Sonha voltar para o Brasil?
Para mim nada é como a casa da gente, como o país da gente. Sinto falta da minha família, dos meus amigos, porque a vida não está esperando por mim, as coisas continuam acontecendo e eu não estou lá participando. Por melhor que seja aqui eu sempre serei uma estrangeira. Voltar para o Brasil para mim é um conflito, eu já estou muito acostumada com a vida aqui, se for pro Brasil terei que começar tudo de novo, mas ao mesmo tempo sonho em morar próximo da família. Minha mãe diz que tem esperança que eu volte um dia e eu sempre penso que as pessoas não vivem para sempre por isso eu quero estar perto das pessoas que eu amo.

Compartilhe esta notícia!
  • YahooMyWeb
  • Technorati
  • StumbleUpon
  • del.icio.us
  • Google
  • Rec6
  • SphereIt
  • TwitThis

Related posts:

  1. Pablo deixou o Brasil com 21 anos e venceu nos Estados Unidos
  2. Catia Domingues educadora nos Estados Unidos
  3. Vaga de trabalho para brasileiro nos Estados Unidos
  4. Visto para os Estados Unidos só via internet
  5. Imigrantes ilegais começam a deixar os Estados Unidos
  6. Imigrantes e demais minorias vão decidir a eleição nos Estados Unidos
  7. O poder dos blogs: nos Estados Unidos
  8. Google domina as buscas nos Estados Unidos
  9. Barack Obama: presidente dos Estados Unidos
  10. Por Dez Euros, Europa - Estados Unidos

Comments

11 Responses to “Foi babá, mas hoje trabalha no setor de educação nos Estados Unidos”
  1. Yvonne says:

    Cilene, gostei muito da Quesia. A entrevista ficou muito boa. Deve ser um grande dilema pra ela querer voltar para cá e estar ao mesmo tempo levando uma vida boa lá nos States. Sucesso para ela.
    Beijocas

  2. Cadinho RoCo says:

    A situação agora nos Estados Unidos é outra, já é notória a recessão em que o País entrou e para os imigrantes isso é péssimo. Gostei muito da pergunta sobre o que leva brasileiros a fazerem no estrangeiro o que não aceitam fazer no Brasil. A entrevistada foi polida e não quis abrir mas a resposta é simples. Na realidade, no estrangeiro paga-se pelo trabalho das pessoas enquanto que aqui no Brasil especula-se com o trabalho alheio. Infelizmente esta é a realidade.
    Cadinho RoCo

  3. Meire says:

    Bela a entrevista da Quesia, ela colocou muito bem como é viver londe de casa.
    Parabens

    Meire

  4. Dan says:

    Adorei a entrevista!
    E fiquei feliz por ela, sinal de que qdo a gente quer muito uma coisa e batalha tudo dá certo!
    Beijocas

  5. celia says:

    Cilene miuto boa a entrevista da Quesia. Todas nós que moramos fora do Brasil, temos uma estoria especial pra contar. Bom fim de semana. Bj

  6. Cilene says:

    Concordo com vc Cadinho!

  7. Magui says:

    Começar uma vida profissional é duro em qualquer lugar.

  8. Gostei da entrevista e das respostas dela. Desejo muita sorte a ela. Eu entendo o fato de morar longe da familia, querer ficar perto e não poder, é uma barra.

    bjs

  9. Luci Lacey says:

    Muito boa a entrevista,

    Parabens as duas.

    Otimo para Quesia, trabalhar na area dela.

    O governo vai investir no resgate dos titulos podres, poderia ter evitado.

    Os bancos americanos, nao aceitaram, renegociar a divida com os proprietarios dos imoveis, a grande maioria nao aguentou pagar, entregaram o imovel, e a vida deles estarao, arruinada durante longos anos com o credito sujo.

    A renovacao da carteira de motorista nao e feita mais, apos o prazo de permanenica no pais, aqui sem carteira, vc nao tem referencia nenhuma, mesmo nos grande centros que tenha metro, onibus etc.

    Beijinhos

  10. Tudo tem seus dois lados.
    Há o lado ruim de se estar longe de casa, e o fato de trabalhar em outras funções, é um caminho para se chegar onde quer.
    O esforço da Quésia, mostrou que ela é uma pessoa que tinha objetivos, e mesmo não tendo planejado o que aconteceu com ela, foi sim, uma vitória.
    Um beijo meu bem.

  11. Luma says:

    Cilene, Quesia vive um dilema exclusivo por estar casada com um americano e estar bem empregada, visto que se foi para os EUA para aprender o inglês, na esperança de conseguir bons trabalhos importantes para a sua carreira, ela se retornasse não estaria no patamar que parou, teria que fazer o mesmo que faria com apenas um ano de estadia lá. Pensando pelo lado positivo da situação, ela por ser estrangeira está numa situação bastante confortável; se as coisas apertarem por lá, ela tem a alternativa de voltar para o Brasil - é o que não acontece com o americano, que vai ter que roer o osso.
    A entrevista foi muito boa!! Boa semana! Beijus

Abra sua Mente

Fale o que voce pensa...
and oh, if you want a pic to show with your comment, go get a gravatar!